MULHERES NEGRAS E SUAS PERSPECTIVAS

A situação da mulher negra no Brasil pode ser comparada com o período de escravidão com raríssimas mudanças, pois ela continua em último lugar na escala social. Várias pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, com rendimento menor, e as poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e crescer socialmente têm menos possibilidade de encontrar companheiros no mercado matrimonial.

A mulher negra ao longo de sua história foi à coluna de sua família, que muitas vezes é formada dela e dos filhos. O Brasil, que se favoreceu do trabalho escravo durante mais de 400 anos, marginalizou o seu principal agente construtor, o negro, que passou a viver na miséria, sem trabalho, sem possibilidade de sobrevivência em condições dignas. Após a abolição, com o incentivo do governo brasileiro à imigração estrangeira e à tentativa de arrancar o negro da sociedade brasileira, houve enorme tentativa de embranquecer o Brasil.
Provavelmente o pior de todos os males foi retirar da população negra seu orgulho e a sua dignidade enquanto raça remetendo a questão da negritude aos porões da sociedade.

Mulher Negra_

A pobreza e a marginalidade a que é submetida à mulher negra reforça o preconceito e a interiorização da condição de inferioridade, que em muitos casos inibe a reação e luta contra a discriminação sofrida.
Embora o histórico adverso, algumas mulheres negras vivem a experiência da mobilidade social processada em “ritmo lento”, pois além da origem escrava, ser negra no Brasil constitui um real empecilho na trajetória da busca da cidadania e da ascensão social.

As mulheres negras que conquistam melhores cargos no mercado de trabalho mostram uma força muito maior que outros setores da sociedade, sendo que algumas provavelmente pagam um preço alto pela conquista, muitas vezes, deixando de lado, lazer, a realização da maternidade, o namoro ou casamento. Pois, além da necessidade de comprovar a competência profissional, têm de lidar com o preconceito e a discriminação racial que lhes exigem maiores esforços para a conquista do ideal pretendido. A questão de gênero é, em si, um complicador, mas, quando juntada à da raça, significa as maiores dificuldades para os seus agentes.

A mulher negra, portanto, tem que dispor de uma grande energia para superar as dificuldades que se encontra na busca da sua cidadania. Poucas mulheres negras conseguem crescer socialmente. Contudo, é possível perceber que está ocorrendo um aumento do número de mulheres negras nas universidades nos últimos anos. Talvez a partir desse contexto se possa ver no futuro próximo uma realidade menos opressora para os negros, especialmente para a mulher negra.
A discriminação racial na vida das mulheres negras é constante; apesar disso, muitas construíram estratégias próprias para superar os obstáculos decorrentes desse problema.